21 abril 2007
É que não há direito!
Num destes dias, li uma interessante reportagem aqui no nosso diário regional. Em resumo, era a história de um homem que decidiu sentar-se no parapeito de um prédio de 10 andares e ameaçar que se atirava dali abaixo (acompanhada duma fotografia do momento, não fosse o leitor não acreditar nas palavras do jornalista). Ora este jornalista escolheu as palavras de dois «residentes» para dar um toque mais humano (?) à reportagem. Um dos «residentes» terá dito, após várias horas de conversas entre o aparentemente suicida e a polícia: ‘se quisesse matar-se, já se tinha atirado’. Ahhh, a sabedoria popular. Toda a gente sabe que atirar-se de um prédio de 10 andares é uma decisão que se toma de ânimo bastante leve e não indica em nada que esta pessoa possa ter uns piquenos problemas na sua vida e por isso ter, não sei, alguma instabilidade emocional. Náaa, o homem estava só a chamar a atenção, como é óbvio. Mas parece que este «residente» foi interrompido no decurso das suas especulações por um outro «residente»: ‘ele devia era ser obrigado a pagar as despesas de trazer para aqui esta gente toda’. Sendo esta gente toda a polícia e os bombeiros. Em primeiro lugar, este senhor demonstra uma humanidade a toda a prova. Notável! Além de ser uma clara tomada de posição pelo famoso princípio do utilizador-pagador. Acho que tem toda a razão. Eu própria, há cerca de dois anos fiquei retida no comboio depois do trabalho durante duas horas! Foi horrível, atrasou-se o jantar e perdi a novela. Tudo isto porque alguém decidiu atirar-se à linha e todos os passageiros da CP tiveram que aguardar pela chegada do delegado de saúde, para então o corpo ser removido. Ora, isto não se admite! Eu ainda ando à procura do nome da viúva/o para que me seja paga uma indemnização choruda pelos danos e incómodos provocados por esta situação…
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1 comentário:
Como é bom vir à net e conseguir sorrir com o absurdo da gente do nosso país, é por estas e por outras que se pensa muitas vezes em emigrar, não obstante ter a certeza que o absurdo existe em todo o lado, mas será que tem mais queda para estes lados lusos? Ou será a nossa crítica e amor-próprio, ou amor pelo próximo, que nos leva a execrar tanto o que dos outros também é nosso? Gente egoísta, só me faz pensar assim, que estamos num espaço de gente egoísta que só sabe dos seus problemas. Tanto o que do 10ºandar ameaçava saltar como o de pés fincados no chão não poupou o seu mal-dizer, são tanto os egoístas cá de baixo, como os que de vítimas se fazem... Se as pessoas tentassem simplesmente resolver-se...
eu também... egoista! porque haveria de ser diferente.
argh
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