E assim, de mansinho, muito de mansinho, três dias de mansinho, lixaram-nos mais um bocadinho a vida. E nós a ver. Mansos.
Sempre tive presente que nada é gratuito nesta vida. Que o esforço é condição necessária para ter qualquer recompensa. Que a sorte também entra na equação. E que ter os amigos ou a cor certa ajuda. Mas nada me preparou para esta absoluta falta de expectativas, para a desesperança de ir vendo a vida a passar e não a conseguir agarrar. Dos sonhos por cumprir e das recompensas eternamente adiadas. Nós já nem somos a geração rasca, ou à rasca, ou dos 500 euros. Somos a geração sem nome, sem cara e sem futuro. Independentes em teoria e profundamente dependentes da única segurança que resta a alguns, a família. Desrespeitados por todos. Incompreendidos por muitos. Vamos andando nesta corda bamba. A tentar não pensar demasiado no futuro a longo prazo. A ver como tudo se conjuga para nos manter precários toda uma vida (ou até deixarmos de ter utilidade), a encher os bolsos aos mesmos, à custa dos de sempre.
Detesto sentir-me derrotista. Mas o pouco que me restava de ingenuidade e de crença na boa-fé de quem tem responsabilidades sobre a vida dos outros foi-se em toda esta palhaçada em que fomos tratados como crianças de quatro anos… O facto de tudo isto se ter passado no 25 de Abril só torna as coisas estupidamente irónicas.
28 abril 2008
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2 comentários:
Como te entendo... Também detesto o sentimento mas infelizmente a realidade é mesmo esta que tão bem acabas de descrever... infelizmente é mesmo esta.
Porra, não te deixes enredar, como te conheço sei que despejas a tua raiva, e amanhã cabeça erguida, olhar seco e directo, não vai haver tremor na voz quando tiveres que enfrentar de novo situação semelhante, gostava de ter essa tua (aparente) garra, na medida certa, para usar nos momento mais apropriados, mas não é que nos apanham sempre desprevenidos?
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